Resenha: A menina que roubava livros (Markus Zusak

A Menina que Roubava Livros

Livro: A menina que roubava livros ♥ Autor: Markus Zusak ♥ Editora: Intrínseca

Páginas: 480 ♥ Ano: 2011 ♥ Nota: 5/5 + ♥

Sinopse: Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História.

A menina que roubava livros se passa entre 1939 e 1943, período em que ocorreram o Holocausto, a Segunda Guerra Mundial e a Alemanha Nazista. O mesmo é narrado pela Morte, que após cruzar três vezes com uma garota chamada Liesel sente-se tão impressionada que resolve nos presentear com a história dessa sobrevivente. Esse é um livro doloroso que nos mostra todos os horrores desse período, e que nos arranca lágrimas com o avançar da leitura.

Com apenas nove anos, Liesel já passou por coisas demais. Vira o irmão de apenas seis anos morrer no colo da mãe em um trem a caminho de Molching e foi abandonada pela mesma com pais de criação, Hans e Rosa Hubberman. Porém, Liesel encontra uma coisa que a faz se sentir viva: as palavras, os livros. No enterro do irmão, a menina fisga um livro que um menino havia deixado cair na neve: O manual do coveiro; esse foi o primeiro de muitos que fariam parte da biblioteca particular da nossa protagonista. Porém, outras coisas deram sentido à vida de Liesel, como Hans, um pintor que ama a música e seu acordeão, e alfabetizou a menina. Rosa, que apesar do jeito rabugento, ama Liesel e só quer seu bem; Rudy, o vizinho que ela ama e odeia e que se torna seu melhor amigo, seu primeiro amor; Max, o judeu do porão; e outras pessoas que entraram na vida da menina e que de certa forma foram importantes para sua formação, como Ilsa, a mulher do prefeito.

Ao longo do enredo ficamos cada vez mais inteirados do cotidiano da população alemã durante o período da Guerra; os racionamentos, os alarmes de bomba, o medo constante e a falta de liberdade, uma vez que nem todos os alemães eram nazistas, mas de forma alguma poderiam expor isso ou seriam levados. Conforme os anos passam, Liesel adapta-se cada vez mais ao lugar, à vizinhança e à a sua nossa família. Entra na Juventude Hitlerista, participa da festividade do aniversário do Führer, vive muitas aventuras ao lado de Rudy, e rouba muitos livros. Porém a situação dos Hubberman torna-se mais complicada, quanto eles começam a abrigar um judeu no porão, Max. Na Alemanha Nazista, não se contraria as regras, na Alemanha Nazista, a Morte teve muito trabalho.

Eu achei genial a ideia do autor de usar a Mote como narradora. Sendo em terceira pessoas, ela nos apresenta o contexto da Guerra, a vida em Molching e sobretudo a vida de Liesel Meminger. Ela resolve nos presentear com a história de A menina que roubava livros, uma vez que Liesel fez a proeza de escapar da mesma três vezes. O livro tem uma narrativa mais lenta e por isso ele muitas vezes é abandonado, mas não façam isso. Essa é uma história sensacional, que nos mostra mais de perto esse período da história e que vale ser conhecida por todos.

“Odiei as palavras e as amei.

E espero tê-las usado direito.”

A Morte é uma personagem muito bem construída. Ela é irônica, sarcástica, mas também sente compaixão. Liesel é uma personagem apaixonante, assim como Rudy (Ele é meu personagem favorito com certeza.). Ambas são crianças tentando sobreviver em famílias pobres e a um modelo de vida que não aprovam, o Nazismo e consequentemente a Juventude Hitlerista. Hans é um homem marcado por Duas guerras, mas mesmo assim é doce e torna-se o melhor pai do mundo para Liesel. Como eu disse, apesar do jeito rabugento, e dos muitos xingamentos, Rosa é uma mulher boa. Max, o judeu, apesar da pouca idade, também tem a vida marcada pela dor, e por ter tanto em comum com Liesel, tornam-se amigos. Achei incríveis os livros manuais que Max escreveu sobre sua vida, um verdadeiro tapa na cara.

A edição do livro está incrível. Essa capa é perfeita em sua simplicidade e a presença das cores branco, preto e vermelho tem todo um significado na história. A diagramação também está muito boa, com folhas bem amareladas e bom espaçamento. Foi bastante difícil escrever essa resenha, pois foi um livro que me marcou e chocou muito. Eu chorei demais no final desse livro, e foi um choro de solçar. Ele se tornou um dos favoritos e é o tipo de livro que irei indicar para todos, pois o mundo precisa conhecer a história de Liesel Meminger.O mundo precisa conhecer a história da roubadora de livros.

“Os seres humanos me assombram.”

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4 comentários sobre “Resenha: A menina que roubava livros (Markus Zusak

  1. Ewerton Carvalho disse:

    Caramba assisti ao filme e é completamente diferente. A temática nazista me parece que está sendo utilizada como pano de fundo para muitas histórias para dar um tom dramático, tenso e denso a contos q sem ela seria sem graça. Mas nesse caso percebe que é diferente pois se encaixa em qualquer local e tempo. Ficaria bem no interior do Nordeste brasileiro e interior da Europa no início do século sem Nazistas. Parabéns pela resenha. Abraços.

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