Resenha: Eleanor & Park (Rainbow Rowell)

Eleanor & Park

Livro: Eleanor & Park ♥ Autora: Rainbow Rowell ♥ Editora: Novo Século

Páginas: 328 ♥ Ano: 2014 ♥ Nota: 3,5/5

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo

Eleanor & Park é um livro que mesmo trazendo temas pesados como diferenças étnicas, violência doméstica, pobreza, problemas familiares como um todo, consegue de maneira singela desenvolver um romance muito fofo nos anos oitenta que nos faz ter sorrisos bobos durante a leitura. Só gostaria que o livro tivesse um final diferente.

Eleanor acaba de se mudar para a nova escola. A menina usa roupas de segunda mão que definitivamente não combinam entre si, tem cabelo ruivo hiper cacheado e está acima do peso. Devido a esses motivos e outros, ela se torna o novo alvo de zoação no colégio. Porém seus problemas em casa são piores. Ela e seu padrasto, Richie, se odeiam. O mesmo bate em sua mãe, que é submissa. Eleanor ainda é a irmã mais velha de cinco e a família vive em condições financeiras difíceis.

Park é mestiço, filho de um ex soldado norte -americano e de uma coreana. O menino de olhos puxados verdes intensos e pele como a luz do sol no âmbar sempre se sentiu diferente, por ser o único mestiço de Omaha, por gostar de punk, por ter feições consideradas afeminadas, por N motivos. É quando Eleanor entra pela primeira vez no ônibus escolar e ocupa o lugar vago ao lado de Park que a história começa. A princípio ambos retraem-se, mas o amor pelo geek (músicas, gibis…) irá aproximar ambos cada vez mais, até que brote o fruto do primeiro amor.

A escritora da autora é bem fluida  e o fato de o livro ser narrado intercalado entre Eleanor e Park nós dá uma ampla visão da história e apesar de ser o tipo de narrativa que não costumo gostar aqui deu super certo. Gostei bastante das inúmeras referências a bandas e gibis da década de oitenta e dos diálogos super inteligentes que a autora criou. Achei muito interessante a maneira como ela abordou temas pesados com certa delicadeza, uma vez que o livro é um YA. Confesso que achei o livro meloso em algumas partes, mas a verdadeira crítica que tenho a fazer é em relação ao final. Na minha opinião a autora correu com a história e não me convenceu de aquela era a única solução para o problema de Eleanor. Além disso, a última página deixa uma super brecha (eu gosto de finais fechados) e embora eu ache que uma continuação não seja necessária, a autora deveria ter explorado mais.

Achei os personagens bem reais. Eleanor é sarcástica e não se importa com o que as pessoas vão achar de suas roupas, seu jeito. Ela é assim. Além disso, a menina construiu muros ao redor de si, mesmo tendo apenas dezesseis anos e achei bem moldado como ela foi destruindo-os ao longo de sua convivência com Park. Park é um amor de personagem. Ele é atencioso, inteligente e super fofo, e dá pra notar o quanto ele se sente deslocado devido aos seus gostos e até do seu jeito, mesmo sendo considerado até popular na escola. Ele é um personagem único.

Essa edição está muito linda. Não consigo imaginar uma capa mais perfeita para esse livro. A diagramação está muito boa e encontrei poucos erros de revisão ao longo da leitura. Indico esse livro para quem gosta de um romance fofo que arranca suspiros, mas eu indico que não vá com grandes expectativas como eu fui, e se você gosta de romances geeks acredito que vá amá-lo.

“Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo.”

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